Bem vindo ao estranho mundo de José !
Prólogo.
José não conseguia enxergar, era surdo e mudo, não sentia o cheiro e nem o sabor das coisas, seus braços e pernas não se mexiam. Apesar de não capturar nada do mundo, José pensava.....
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Será que estou deitado ou sentado ? Se ao menos tive uma noção da gravidade, poderia sentir o peso da minha cabeça para algum lado. As vezes tenho a impressão de que estou de cabeça pra baixo, como se tivesse bebido a noite toda e o mundo rodasse a minha volta, você acorda e ainda está bêbado, olha para as paredes e acha engraçado elas se movimentarem.
Apesar de não saber como fiquei desse jeito, consigo lembrar vagamente que minha vida nem sempre foi assim. Sei que existem árvores, montanhas, o mar e a brisa do vento. Sei como é estar bêbado, com sono e cansado, lembro de todas essas sensações, mas na minha cabeça nada faz sentido. Sei como é estar bêbado, mas não lembro quantas vezes fiquei, nem como, nem aonde, nem com quem.
Sei como é bom estar no alto de uma montanha ou de frente para o mar, sentindo o vento bater no meu rosto com uma brisa suave, mas não consigo lembrar aonde senti essa sensação pela última vez e nem em qual cidade.
Sei que o simples de fato de andar de bicicleta me da total sensação de liberdade, como se fosse um pássaro cruzando o céu, e por Deus, não me lembro de quando era uma criança e de como aprendi a sentir essas coisas.
Por varias vezes senti o corpo de uma mulher abraçada comigo, nua na cama, após horas de exaustão. E o rosto dela, eu não vejo, eu não me recordo, mas sei que era macio e me acalmava.
Tenho ciência de que deveria sentir fome quando não me alimento, e porque não sinto fome agora ? Não percebo minha barriga roncar, não tenho dor no estomago... Será que estão me alimentando agora ? Consigo engolir ou será uma sonda em minha barriga?
Mas isso não é o mais confuso, por mais engraçado ou triste que isso seja, não consigo ao menos saber se estou acordado ou sonhando. Quando dormirmos nossa mente se aquieta, tudo fica calmo e silencioso como agora, mas, como consigo pensar se estou dormindo ?
Vou tentar desligar meus raciocínios e ver o que acontece, se estou durmindo provavelmente irei acordar, ou, se estou acordado agora, provavelmente quando durmir sonharei com alguma que faça sentido.
...
Quando José parou de pensar por alguns segundos, sua mente também ficou inativa, assim como todos as suas percepções.
Após algum tempo, José finalmente abriu os olhos, o clarão o deixou confuso, mas ele percebeu alguns vultos, e um lhe chamou mais atenção, uma mulher de branco a sua frente, naquele momento a mulher o cobria com uma manta muito confortável e acolhedora...tudo estava confuso e José adormeceu agora mais tranquilo.
Após acordar e adormecer várias vezes, o escuro ainda o deixava em pânico. José por varias vezes acordou com vultos de pessoas passando a sua volta, mas não via nenhum vulto de imagem parecido com a mulher de branco daquela vez.
A fome agora era bem vinda e ele conseguia sentir todas as vibrações do seu estomago, o frio e o calor aos poucos começavam a ser perceptíveis, assim como os barulhos a sua volta.
Após 1 ano, José deu alguns passos em um grande salão barulhento e animado, ele ainda estava sem equilíbrio, mas se sentiu livre e quis continuar. Era de se esperar que após tanto tempo uma queda seria algo previsível, mas José acabou se machucando ao cair, ele sentiu sua cabeça por um instante triscar em algo pontiagudo. Antes de desmaiar José viu um pouco de sangue escorrer próximo ao seu olho e adormeceu.....
Minutos depois ele abriu os olhos confuso, com medo do que havia ocorrido, mas com alegria reconheceu a silhueta da mulher de branco que estava novamente a sua frente.
José percebeu a mulher de branco falar com um casal desesperado, mas não conseguia compreender as palavras que eram ditas.....
Com muita serenidade a médica de branco acalmava o jovem casal de pais.. “Ele teve um pequeno arranhão na cabeça, não se preocupem. Com apenas 1 aninho isso é muito normal, no próximo aniversário ele já vai estar correndo e brincando com as outras crianças...”
Após 3 anos, Caio aprendeu a andar de bicicleta na praia com seu Pai e descobriu pela primeira vez como é bom sentir a brisa do vento em seu rosto.























